Ações Urbanas

Re.Fem



Fotos: Cenas do Filme

Em 1992, na cidade do Rio de Janeiro, a história da contribuição feminina no Rap se iniciou com as rappers Quênia, Paula Diva e o grupo Damas do Rap. Nesta época particparam do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP) instituição onde Big Richard ensinava consciência política aos jovens carentes do Rio de Janeiro.

Em 2006, Janaina Oliveira, a rapper “Re. Fem”, sigla para Revolta Feminina, dirige o documentário “Rap Veste Saia”. “Precisava saber quais foram as primeiras mulheres a cantar rap aqui no Rio, o que elas passaram...o rap veste saia surgiu desse intuito... Mostrar a história feminina negra que é escondida da população", afirma Re.Fem que ao lado da rapper Queen, também do Rio de Janeiro, idealizaram o filme.

O documentário, que tem duração de 18 minutos, conta com relatos de Mcs e grupos de Rap femininos, onde elas falam sobre o Machismo, Sexualismo, Rivalidades, Companheiros, a mudança que o Hip Hop trouxe em suas vidas e a dificuldade de se manter nele. Um trabalho extremamente importante para entendermos o motivo pelo qual tantas minas no Rap não conseguem a visibilidade que merecem. Ás vezes parece que o assunto Mulher no Hip Hop causa desconforto, muitos acreditam que elas subirão ao palco e reclamarão de suas vidas, porém sabemos que há mais que isso.

Os homens estão costumados a ver a mulher sempre como musa inspiradora, a mãe que acolhe, a mulher sensual, erotizada ou a companheira. A mulher trabalha com tabus a serem quebrados, estigmas carregados, etc. Também existe opinião, visão, participação efetiva dentro da sociedade, pensamentos em comum e olhares diferentes, somamos, participamos na real, a mulher tem que ser vista por esse ângulo. Há espaços para todos, e é necessário diversidade. A seguir leiam a entrevista com Queen e Re.Fem:

Ações Urbanas: Por que fazer documentário "Rap Veste Saia?
Re.Fem.:
Porque mulher negra tem história. Porque precisamos saber das nossas origens. Precisava saber quais foram as primeiras mulheres a cantar rap aqui no Rio, o que elas passaram? Quais eram os desafios? Como foram superados? E das que estão em atuação, quem são? Como fazem? Pelo passam?

O Rap Veste Saia é a busca por uma identidade feminina no Rap Carioca, é saber que não estamos sozinhas e que os meus problemas são os seus também. Ações Urbanas: Qual foi o critério para escolher as minas que participariam do documentário?
Re.Fem.: O critério foi ser rapper, mulher e natural do estado do Rio de Janeiro.

Ações Urbanas: Como vocês analisam o papel da mulher dentro do Hip Hop?
Re.Fem.:
O papel da mulher, na verdade cada uma tem o seu, eu posso falar por mim, o meu papel, que prefiro chamar de missão, é o de empoderamento das mulheres, principalmente as jovens mulheres negras, é dizer para elas que nada é impossível, que o convencional está ai para ser quebrado e que nos nossos direitos existem e devem ser respeitados.

Queen: Acho que ao invés de apenas subir ao palco para soltar lamentações, a mulher tem que ir a luta, correr atrás de seus sonhos, de seus objetivos, tem que impor seu discurso, sua postura e não ficar esperando por ajuda de ninguém. Acho que ela tem que peitar tudo e todos para se afirmar à frente independente do gênero a que pertence e dos estereótipos que são lançados sobre a sua imagem.

Ações Urbanas: Vocês acreditam que os homens se importam com a causa feminina?
Re.Fem.:
Uma boa parte sim, só não sabem direito o quê e como fazer. Eu tenho um amigo em especial, o DJ Fábio ACM, esse é o cara do Hip Hop mais consciente das lutas das mulheres e o melhor ele não fica só na consciência não, ele é um cammra de ações, o que podemos comprovar nos últimos trabalhos que ele coordenou o Hip Hop Mandando Fechado em Saúde e Sexualidade (http://www.hiphopdsdr.org.br) e o Mulheres do Hip Hop Unidas Pela Eliminação da Violência Contra a Mulher (http://www.hiphopsemviolencia.org.br). Sou fã dele, não poderia deixar de falar.

Queen: A grande maioria não. Só se aproximam com segundas intenções! Ainda bem que temos louváveis exceções!

Ações Urbanas: O que vocês acham de alguns discursos como por exemplo “as minas não conseguem fazer, e nem fazem direito pq não são verdadeiras?”.
Re.Fem.:
Eu deixei há muito tempo, aliás, eu nunca liguei para que os “caras” diziam ou dizem. Eu sempre fiz minha paradas sem perguntar se estava ou não certo, se estava ou não bom, tinha que estar certo e muito bom para mim, eles como homens não sabem o que é bom ou certo para uma mulher, temos que ter os “caras”como nossos amigos e companheiros, não como nossos conselheiros. Minha mãe sempre me fala: “Não importa o que os outros falam, o que importa é o que você quê”, ela é uma mulher sábia.

Queen: Falar. Eles vão falar sempre, só eles não...Todos!

Então só devemos dar ouvidos a falas que acrescentam, caso contrário, o lema é desconsiderar, não creditar depoimentos que não sejam proveitosos em nossa caminhada.

Ações Urbanas: Dêem um recado e o que fazer para mudar esse quadro para as minas que estão começando e para as que estão no movimento, que é ou foi discriminada por serem mulheres:
Re.Fem.:
Para as que estão começando o importante é saber se é isso mesmo que se quer, por que nada nessa vida é fácil, nada vem fácil e se vir desconfie. Tendo certeza, trace um objetivo, pois será ele que te sustentará e não te desviará na longa caminhada cheia de obstáculos. E para as guerreiras que estão ai na luta, é não ter medo de meter o pé na porta, de expor suas idéias, fale, mesmo que for uma besteira, é não ter medo da luta e nunca desistir, por causa de falação, por causa de namorado, marido, se ele te ama ele vai entender. A parada é nunca perder de vista a sua missão, o seu objetivo. E precisando, podem contar comigo ; ).

Ações Urbanas: Nos fale um pouco sobre o q você acha da: Gravidez precoce.
Re.Fem.:
Pelo o que observo são vários os fatores que levam uma menina a engravidar cedo. A busca por independência, muitas querem ter sua casa, sua própria família, já outras é por descuido de não usar preservativos, que muitas vezes os meninos não aceitam usar e elas na insegurança e o medo de perder o namorado acabam se submetendo a isso. Porém a gravidez em si não é o problema, somos a geração HIV, não temos mais o direito de transar sem camisinha, é suicídio, infelizmente no Brasil a AIDS está assumindo uma cara cada vez mais jovem e a gravidez precoce é um termômetro que nos mostra que não estamos nos cuidando como deveríamos.

Queen: Por isso o caminho é informação!

Sabemos o quanto é difícil mudar as coisas! Mas a informação é uma grande aliada na luta contra a Aids e/ou outras manifestações sexuais além gravidez!


Escrito por ... uRbaNas.... em às 01h26 PM
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Re.Fem II

Aborto

Re.Fem.: Eu sou totalmente a favor da descriminalização e legalização do ABORTO.

Na lista de mortes evitáveis no Brasil o aborto ocupa uma das primeiras posições. As vítimas são mulheres pobres, e destas, grande parte é composta por mulheres jovens e negras; se suas vítimas originassem das classes ricas, com certeza o aborto já estaria legalizado, mas como é só mulher pobre que está morrendo...

Queen.: Também sou a favor. Tem que se parar de tratar esse tema de forma pejorativa e dogmática como ainda se ocorre hoje em dia. Uma das maiores culpas disso é questão de vivermos ainda meio que num regime "imperial".

Perdi minha melhor amiga há três anos atrás, devido um aborto mal feito de forma amadora e clandestinamente. Uma das causas que a fez tomar essa atitude era a sua real condição para se ter um outro filho naquele momento.

E nós mulheres temos que ter o direito de escolher sim a hora exata de sermos ou não mães!

Conheçam um pouco mais do trampo dessas minas e vejam o trailer do filme : http://www.rapvestesaia.blogspot.com/


Escrito por ... uRbaNas.... em às 01h22 PM
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 Re.Fem
 Re.Fem II



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